sexta-feira, 16 de maio de 2014

As Maravilhosas Incoerências Calvinistas em J. C. Ryle e Charles Spurgeon

     



Diferente de alguns calvinistas, dentre estes notáveis calvinistas, vejo uma certa incoerência com o pensamento calvinista deles. Quero destacar neste artigo dois grandiosos calvinistas que contribuíram muito para o Reino de Deus. São eles J. C. Ryle e Charles Spurgeon. Indubitavelmente suas pregações e escritos têm uma beleza e toques do Santo Espírito! Muitas pessoas vêm se deliciando no Senhor com suas prédicas, sejam escritas, no século passado e agora, ou, no século XVIII, presencialmente com eles.

     Comecemos com J. C. Ryle (1816 - 1900). Este nobre bispo anglicano defendia o calvinismo na Igreja da Inglaterra (Anglicana). Sempre houve, assim como os batistas, calvinistas e arminianos no anglicanismo. Ryle em seu tratado chamado Eleição expõe a eleição incondicional de uma forma branda e explicando o que é eleição incondicional (Ryle não acrescentou o "incondicionalmente". Mas quase nenhum calvinista acrescenta isso, pois, para eles, "eleição" implica "eleição incondicional"). O fato mais curioso é que Ryle escreve: "Nosso dever é convidar a todos, sem nenhuma exceção. Devemos dizer 'Acorde, arrependa-se, acredite, venha a Cristo, converta-se, clame a Deus, lute para entrar pela porta estreita, venha porque tudo já foi consumado e Deus o ama. CRISTO MORREU POR VOCÊ"¹ (Ênfase minha). Percebemos claramente o corroborar  do calvinismo de 4 pontos de Ryle. Os calvinistas de 5 pontos rechaçam isso em Ryle. A parte enfatizada por mim na citação de Ryle denota que Ryle pregava e ensinava que um cristão deve pregar que Cristo morreu pela pessoa. Isso um calvinista de 5 pontos não ousa pregar, pois ele não sabe se Cristo morreu por tal pessoa. Mas Ryle enquanto que advoga a eleição incondicional, prega às pessoas que Cristo morreu por elas. Segundo os próprios calvinistas de 5 pontos, Ryle estaria negando a expiação substitutiva, a mesma acusação que fazem aos arminianos, pois se Cristo morreu por todos, então ou todos têm que ser salvos ou se houver pelo menos um não salvo, não é substitutiva. Certamente uma maravilhosa incoerência calvinista, a expiação ilimitada de muitos deles e a pregação do Evangelho a todos dizendo "Cristo morreu por você". R. C. Sproul, um notável teólogo calvinista contemporâneo, afirma que os calvinistas de 4 pontos são arminianos ao declarar: "De fato há inúmeros crentes que se declaram calvinistas de quatro pontos porque não podem assimilar a doutrina da expiação limitada. Às vezes, eles dizem: 'Não sou calvinista, não sou arminiano. Sou calminiano.' Penso que um calvinista de quatro pontos é um arminiano."² O interessante é que há indícios convincentes que Calvino não cria na expiação limitada. Será que Sproul afirmaria que Calvino era arminiano?

     Charles Spurgeon (1834-1892) foi um grande pastor e evangelista batista inglês. Sem dúvidas um grande nome da história cristã. Também ele faz parte das maravilhosas incoerências calvinistas. Spurgeon escreveu acerca de 1 Tm 2:3,4 "Vocês, muitos de vocês, conhecem bem o método geral pelo qual os nossos velhos amigos calvinistas tratam este texto. 'Todos os homens', dizem eles - 'isto é, alguns homens', se quisesse dizer alguns homens. 'Todos os homens", dizem eles; 'isto é, alguns de todos os tipos de homens', se Ele quisesse dizer isso. O Espírito Santo, por meio do apóstolo, escreveu 'todos os homens' e, inquestionavelmente, Ele quer dizer todos os homens. Sei como descartar a força do termo 'todos', segundo aquele método crítico que há algum tempo era muito corrente, mas não vejo como se pode aplicar isso aqui mantendo a devida consideração pela verdade. Há pouco estive lendo a exposição de um habilidoso doutor que explica o texto acabando com ele; ele aplica pólvora gramatical ao texto, e o faz explodir a título de explicá-lo. Quando li a sua exposição, pensei que teria sido um comentário de capital importância se o texto dissesse: 'Que não quer que todos os homens se salvem, nem que cheguem ao conhecimento da verdade'. Se essa fosse a linguagem inspirada, todas as observações feitas pelo ilustre doutor ser-lhe-iam exatamente fieis, mas como acontece que ela diz, 'Que deseja que todos os homens sejam salvos', as suas observações estão mais de que um pouco fora de lugar."³ Spurgeon claramente nega a explicação de muitos calvinistas quanto a 1Tm 2:3,4. Ele critica veementemente que "todos os homens" significa "alguns homens", como se o Espírito Santo, que inspirou as Sagradas Escrituras, não quisesse escrever "todos os homens" mesmo. Se O Espírito Santo quisesse "alguns homens", segundo o próprio Spurgeon, certamente inspiraria no texto sagrado "alguns homens" ao invés de "todos os homens". Spurgeon até critica um doutor que explana essa passagem de forma excepcional, mas seria excepcional de fato, repito, segundo o próprio Spurgeon, se o texto apontasse que Deus não quer que todos sejam salvos e não cheguem ao conhecimento da verdade. Porém a passagem escriturística aponta justamente o contrário, que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.

     Essas são algumas maravilhosas incoerências da teologia calvinista evidenciadas nas declarações dos calvinistas J. C. Ryle e Charles Spurgeon. Que sempre existam mais incoerências como essas, pois, se o calvinismo for levado em sua máxima coerência, homens serão condenados e sofrerão eternamente porque Deus quis e é da Sua vontade que seja assim!

    Graça e Paz!

¹http://www.projetoryle.com.br/wp-content/uploads/2013/10/ebook_eleicao_jcryle.pdf

² R. C. Sproul, A Verdade da Cruz. Fiel. 2011. p.124

³ Iain Murray, Spurgeon versus Hipercalvinismo. PES. 2006. p. 171,172
    

terça-feira, 11 de março de 2014

Calvinismo, Catolicismo Romano e Suas Semelhanças

 
              
                    


     Muitos calvinistas sempre associam arminianismo ao catolicismo romano. Por muito tempo venho lendo e ouvindo isso. Mas o mais curioso é que em julho do ano passado eu fiz umas pesquisas e descobri que quem tem mais em comum com o catolicismo romano é o calvinismo. Perguntei até a católicos romanos versados em teologia para que eu não concluisse nada absurdo. Pasmem! Vamos às comprovações. Entre os séculos XVII e XIX houve polarizações na soteriologia quanto a tomistas e molinistas. 
   
     Tomistas são os que seguem Tomás de Aquino (1225-1274), considerado pelo catolicismo romano como o teólogo mais destacado da igreja católica romana, um pouco acima de Agostinho de Hipona (354-430). É notório que Aquino é muito difícil de entender, haja visto sua falta de clareza e prolixidade em muitos de seus escritos. Porém, é fato comprovado que os tomistas defendem algo parecido com o que os calvinistas creem, diferente dos molinistas, que seguem os pensamentos de Luis de Molina (1535-1600) que cria em algo parecido com o que os arminianos creem. Com isso, vamos a uma análise!

  • Tomistas e calvinistas creem numa predestinação restrita que tem como sua base a eleição incondicional de algumas pessoas acompanhada de uma graça eficaz em tais eleitos incondicionalmente. (ante praevisis meritis)
  • Molinistas e arminianos creem numa eleição condicional de pessoas que, por meio da graça divina, capacita todos para andarem no caminho da fé e serem eleitos. (praevisis meritis)
      Levando em consideração que o tomismo é aceito como o posicionamento oficial do catolicismo romano, conclui-se que o calvinismo está mais para o catolicismo romano do que o arminianismo. Evidencia-se, com isso também, a falácia de muitos calvinistas escreverem até artigos como "Arminianismo, um caminho para Roma", quando, na verdade, são os calvinistas que estão num caminho de volta a Roma (baseado nos argumentos de tais calvinistas!).

     Vale a pena destacar também que com esse breve artigo cai-se o mito de que o catolicismo romano é semipelagiano, pois tanto o tomismo quanto o molinismo enfatizam a iniciativa divina para a eleição e salvação. Parece que muitos calvinistas somente conhecem o que o calvinismo prega, enquanto que são ignorantes do que tanto o arminianismo quanto o catolicismo romano pregam, fato este que os deixa numa situação de ignorância teológica imensa, pois, como comprovou-se, o calvinismo está mais para o catolicismo romano do que o arminianismo para este.

     Convém também aludir que o Papa Paulo V, mediante uma intensa discussão calorosa entre tomistas e molinistas por volta dos séculos XVII e XIX, decretou que, embora o tomismo seja o pensamento oficial do catolicismo romano, um molinista não é menos católico por causa disso, haja vista essa questão da predestinação e eleição ser muito enigmática.

     Tudo isso pode ser conferido em qualquer pesquisa relacionada ao tomismo e molinismo em materiais de busca na internet.

      Graça e Paz em Cristo Jesus!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Pequena Resenha de Livros Lidos: À Procura de Deus de A. W. Tozer

                                                 


     Bem! À medida que eu terminar de ler os livros que tenho, vou postar um pequena resenha do que achei deles. Isso servirá para dar mais dinâmica ao meu blog, haja vista eu me ocupar com outras coisas e não ter tempo para postar aqui (que nada! É preguiça mesmo!).

     Com isso, começo com o livro À Procura de Deus escrito pelo brilhante A. W. Tozer publicado no Brasil pela Editora Betânia. Este livro mostra com profundidade tanto a procura quanto o encontro com Deus. Tozer é conhecido pelos seus escritos que levam o leitor a um anseio profundo pelo Senhor! Tozer foca muito na questão de seguir a Cristo somente por seguir, sem, de fato, experimentá-lo. Muitos pensam que somente confessar a Cristo e ir à igreja basta para ser um cristão. Porém, Tozer, como um profeta que era, leva o leitor a um entendimento que o anseio e a procura pelo Senhor com profundidade, anelando a Sua presença, tornará o cristão mais obstinado em agradar o Senhor em todas as coisas que fizer.

     Enfim, um excelente livro, um dos maiores clássicos de A. W. Tozer que merece ser lido por TODOS os cristãos!

     Graça e Paz!

sábado, 2 de novembro de 2013

Explicação Clara, Bíblica e Sintética do Arminianismo

 




          Os remonstrantes elaboraram cinco artigos para representar o pensamento arminiano. O famoso TULIP calvinista surgiu depois para combater os artigos da remostrância. Vejamos, baseado em versículos bíblicos, tais artigos.


  •             Eleição Condicional - A condição para ser salvo (e ser eleito) é ter fé.
O Espírito e a noiva dizem: "Vem! " E todo aquele que ouvir diga: "Vem! " Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida. 
Apocalipse 22:17 

"Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedrejas os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram! 
Lucas 13:34


"O Espírito de Deus veio sobre Azarias, filho de Odede. Ele saiu para encontrar-se com Asa e lhe disse: "Escutem-me, Asa e todo o povo de Judá e de Benjamim. O Senhor está com vocês quando vocês estão com ele. Se o buscarem, ele deixará que o encontrem, mas, se o abandonarem, ele os abandonará." 
2 Crônicas 15:1-2

"Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao Senhor"


  •         Expiação Ilimitada - Jesus morreu por todas as pessoas.
Conseqüentemente, assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens. 
Romanos 5:18

Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador,
que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.
Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus,
o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo. 
1 Timóteo 2:3-6


Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.
1 João 2:2-3

E vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho para ser o Salvador do mundo. 
1 João 4:14

“Nós temos visto e testificamos que o Pai enviou a seu Filho como Salvador do mundo.”
1 Jo 4:14

“ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.”
1 Jo 2:12



  •  Depravação Total - O ser humano é totalmente depravado no que concerne a buscar a Deus por salvação.
Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso, quem o poderá conhecer?
Jr 17:9

Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura, e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
1 Co 2:14

Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente.
Gn 6:5



  •          Graça Resistível - A graça salvífica pode ser resistível.
“mas os fariseus e os doutores da lei frustraram o desígnio de Deus quanto a si mesmos, não sendo batizados por ele.”
Lc 17:30

“Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis.”
At 7:51

"Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedrejas os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram! 
Lc 13:34


Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por caminho, que não é bom, após os seus pensamentos;
Isaías 65:2


Também vos destinareis à espada, e todos vos encurvareis à matança; porquanto chamei, e não respondestes; falei, e não ouvistes; mas fizestes o que era mau aos meus olhos, e escolhestes aquilo em que não tinha prazer
Isaías 65:12


  • Proposta de Estudo Acurado sobre Perseverança dos Santos. Veja o que os remonstrantes mesmos escreveram sobre isso.
"Que aqueles que são enxertados em Cristo por uma verdadeira fé, e que assim foram feitos participantes de seu vivificante Espírito, são abundantemente dotados de poder para lutar contra Satã, o pecado, o mundo e sua própria carne, e de ganhar a vitória; sempre – bem entendido – com o auxílio da graça do Espírito Santo, com a assistência de Jesus Cristo em todas as suas tentações, através de seu Espírito; o qual estende para eles suas mãos e (tão somente sob a condição de que eles estejam preparados para a luta, que peçam seu auxílio e não deixar de ajudar-se a si mesmos) os impele e sustenta, de modo que, por nenhum engano ou violência de Satã, sejam transviados ou tirados das mãos de Cristo [Jo 10.28]. Mas quanto à questão se eles não são capazes de, por preguiça e negligência, esquecer o início de sua vida em Cristo e de novamente abraçar o presente mundo, de modo a se afastarem da santa doutrina que uma vez lhes foi entregue, de perder a sua boa consciência e de negligenciar a graça – isto deve ser assunto de uma pesquisa mais acurada nas Santas Escrituras antes que possamos ensiná-lo com inteira segurança."

   Precisamos enfatizar que o arminianismo crê na depravação total e não fecha na questão da possibilidade de apostasia. O que muitos desconhecem é que Armínio e os remonstrantes não fecharam esse ponto, propondo um estudo mais acurado. 

     Enfim, em um post futuro explicarei sobre a Graça Preveniente, que capacita o ser humano a crer na salvação em Cristo Jesus!

             Graça e Paz!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Equívocos sobre o Arminianismo (1º Parte)

     O arminianismo não é um sistema soteriológico baseado em obras e nem no livre-arbítrio. Muitos pretendem desmerecer e rebaixar o arminianismo atacando com essas armas. Contudo, isso não passa de ignorância quanto à sistematização salvífica elaborada por Jacó Armínio. No arminianismo enfatiza-se a salvação somente pela fé. Cremos que o homem deve responder com fé à Graça salvífica de Deus. Exercer fé não é obra, pois obra e fé são antíteses. É algo totalmente paradoxal quando acusam os arminianos de crença pelas obras. Se exercemos fé para crer, não é obra, mas sim, fé! Se é Deus que faz com que o homem exerça fé coercitivamente, então não é o homem que exerceu fé, mas sim, Deus no lugar do homem. Isso todos os arminianos rejeitam, pois não é a fé do homem, mas sim de Deus pelo homem.
                                             
     Quanto à ênfase no livre-arbítrio, pode-se destacar que os arminianos creem na restauração do livre-arbítrio pela Graça Preveniente. A mentira que é relatada acerca do arminianismo é que os arminianos creem que podem aceitar a oferta salvífica sem a Graça de Deus. Isso é errado. Mesmo que alguém que se intitule arminiano diga ou escreva isso, está totalmente errado. Cremos que é Deus quem toma a iniciativa de se achegar ao homem trazendo salvação. Daí o homem pode não resistir a essa oferta e ser salvo, mas também pode resistir essa oferta e não ser salvo. Alguém tem todo o direito de discordar do arminianismo, mas trate o arminianismo como ele de fato é!
    
      Semipelagianismo é um sistema que enfatiza que o homem se achega primeiro a Deus e Deus corresponde a essa inciativa divina, sendo condenado pelo Sínode de Orange em 529. Isso é totalmente contrário ao que o arminianismo enfatiza. Como se vê acima, no arminianismo é Deus quem toma a iniciativa no relacionamento salvífico. Portanto, não há semelhança entre arminianismo e semipelagianismo. Há que se enfatizar isso, pois muitos confundem ou por ignorância ou por falta de caráter mesmo.
     
      Como o meu intuito é sempre uma explicação rápida do arminianismo, em posts futuros haverá mais elucidações acerca do entendimento arminiano devido a inúmeros ataques sem fundamentos sobre o arminianismo!
     
      Graça e Paz!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Arminianismo (1º Parte)




      Muitas objeções são feitas ao arminianismo. Muitas delas são caricaturas oriundas ou de mal entendidos ou de más intenções. Tentarei colocar neste breve artigo definições objetivas e de fácil entendimento aos que não conhecem esse ramo soteriológico dentro da teologia. Espero que o leitor deste artigo possa compreender melhor o arminianismo.
      O arminianismo surgiu devido aos pensamentos de Tiago Armínio (ou Jacobus Arminius) que discordou da eleição incondicional, expiação limitada e graça irrestistível do calvinismo. Muitos não sabem que Armínio não discordava da depravação total e da perseverança dos santos. Esta última Armínio decidiu pensar melhor, porém morreu antes de se posicionar definitivamente.
      Logo após sua morte seus seguidores, os famosos remonstrantes, levaram adiante seu pensamento e criaram os cinco artigos da remonstrância, que evidenciava os seguintes pontos:
  • Eleição Condicional
  • Expiação Ilimitada
  • Depravação Total
  • Graça Resistível
  • Proposta de Estudo Acurado sobre Perseverança dos Santos
     
      O arminianismo foi condenado pelo Sínodo de Dort, composto por calvinistas, tendo Oderbanevelt sido condenado à morte e os outros remonstrantes depostos do país. Quando Maurício de Nassau, diferente do Nassau que esteve no Brasil, morreu, os arminianos puderam voltar à Holanda, onde se deu tudo isso, e criaram uma universidade que existe até hoje.
      O arminianismo foi adotado pelos batistas (batistas gerais) e anglicanos (os que não concordavam com o monergismo calvinista). John Goodwin, foi um puritano arminiano e o que consta, o único. Porém, depois, o arminianismo ficou mais evidenciado com John e Charles Wesley, grandes destaques do metodismo inglês que se tornou maior nos Estados Unidos, porém não poucos no Reino Unido. Houve o metodismo calvinista liderado por George Whitefield, porém menor do que o metodismo arminiano de Wesley. Daí o arminiaismo se disseminou em outras igrejas independentes e principalmente em igrejas de origem wesleyana, como os Holiness, Exército da Salvação, Igreja do Nazareno e igrejas pentecostais.
     Muitos grandes pregadores eram e são arminianos, pois, embora alguns mesmo não se declarando arminianos (ou porque não gostam de rótulos ou porque pensam que o arminianismo é outra coisa), na verdade o são. D. L. Moody, R. A. Torrey, Billy Sunday, E. M. Bounds, Campbell Morgan, Samuel Chadwick, Leonard Ravenhill, David Wilkerson, dentre tantos outros. No Brasil temos o Ildo Mello, Altair Germano, Esdras Bentho, Paulo Romeiro dentro outros.
      No próximo post irei expor o que o arminianismo enfatiza, justamente com a informação de muitos teólogos importantes do arminianismo. Diferenciarei o arminianismo do semipelagianismo e do pelagianismo propriamente dito. O leitor notará o quão impensado será continuar a ouvir e a ler sobre arminiainsmo ser a mesma coisa que semipelagianismo e pegalgianismo.
      Outra nota que deve ser mencionada é o fato de alguns afirmarem que o arminianismo deu origem aos movimentos de confissão positiva, teologia da prosperidade e outras aberrações. O arminianismo de forma alguma leva a tudo isso, pois é um sistema soteriológico centrado na Glória de Deus e não no ser humano, sem qualquer espécie de barganhas ou relacionamento superficial com Deus , enquanto que essas aberrações muitas vezes não levam nem a teologia a sério. Só o fato de muitas dessas aberrações não concordarem com o monergismo reformado, não as torna arminianas. Haja vista muitas seitas terem origem no monergismo. O que não faz do monergismo uma seita. Porém, sem dúvida, muitas dessas aberrações têm origem em um pensamento pelagiano, e não,arminiano.

P. S: Sugiro a leitura do livro de Roger Olson, Teologia Arminiana - Mitos e Realidades publicado pela editora Reflexão. A capa do livro é a mesma da foto deste post.
 

terça-feira, 7 de maio de 2013

A Importância de G. K. Chesterton na Fé Cristã Hodierna

   

                                         
          A Inglaterra no começo do século XX vivia um momento decadente da fé cristã. Não havia naquele momento grandes nomes do protestantismo. Charles Spurgeon morreu no final do século XIX e C. S. Lewis ainda era um ateu nesse período, alheio à fé cristã. E, além do mais, as igrejas protestantes mais notáveis viviam um liberalismo teológico que, futuramente, sendo comprovado hoje, destruiria muitas igrejas protestantes na Inglaterra. Nesse ínterim, o cristianismo estava sendo bombardeado pelos ideais darwinianos no campo da ciência e por Bertrand Russell (considerado o grande gênio da filosofia no século XX ao lado de Jean Paul Sartre, ambos ateus) na filosofia. Com tudo isso, é constatado um período nebuloso para a fé cristã na terra do chá das cinco!

        Surge nesse contexto um grande intelectual que decidiu causar um rebuliço no Reino Unido. Seu nome é Gilbert Keith Chesterton. Em uma Inglaterra cheia de ideais anti-cristãos e seculares Chesterton não deixou o cristianismo ser varrido daquele país e tornar-se uma simples religião de ignorantes. Usando de inteligência, intelectualismo, sabedoria e, notavelmente, de grande humor, deixava seus críticos e adversários sem palavras e consternados em devolver réplicas ou tréplicas a este grande paladino da fé cristã.

        Os grandes enfoques de Chesterton eram: a insolubilidade do casamento, o modelo de economia baseado no Evangelho, chamado distributismo (nem capitalista e nem socialista), a supremacia da fé cristã e o comprometimento dos valores cristãos na literatura infantil e adulta. Deus em nenhum momento deixa este mundo sem representantes que enfrentam grandes nomes do orgulho e ideal mundano!

        Causará mais surpresa a alguns quando souberem que Chesterton, o paladino da fé cristã do primeiro quarto do século XX era católico romano! Tenho grandes discordâncias do catolicismo romano, principalmente da equivalência da Bíblia com a Tradição. Como protestante, para mim, somente a Bíblia é regra de fé e prática cristã. Discordo da intercessão dos santos e de Maria, pois, como mencionei anteriormente, não é respaldado nas Escrituras Sagradas, mas sim na Tradição. No resto, a minha discordância não é relevante. No entanto, grandes nomes do cenário protestante admiraram e admiram Chesterton, como C. S. Lewis, John Piper e Philip Yancey. Ler Chesterton além de melhorar sua apologética para com os céticos e ateus, também lhe proporcionará muitas risadas e bom humor desse grande apologista inglês!


Graça e Paz!

Marlon Marques